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Segunda-feira, Abril 17, 2006
POESIA SIM - PESQUISA Você investiria 15 reais do seu combalido salário para financiar um livro de um poeta contemporâneo? O que ganharia com isso? Bueno... no meu caso, um livro de poemas chamado "Texto Sentido - poemas e pequenas prosas" que, de certa forma, vem sendo gerado aqui nesta minha oficina de exposição de vísceras. Publico meus livros de quatro em quatro anos. Em 2002, banquei a edição de Sem Meias Palavras, vendendo as agendas da Tribo que ganhei como direito autoral por ter publicado meus poemas na edição de 2001 do Livro da Tribo (Ed. Tribo-SP). E agora... Sim, e agora? Para financiar meu livro, nas mãos só tenho um punhado de poemas. E aí? Topa? O QUE GUARDA TUAS SOMBRAS Eu tenho aqui minha alma aberta. Exposta e em permanente rebelião. Na busca da Poesia, não cumpro o estabelecido. Porque o que se estabelece morre. Viver é superar o desequilíbrio de cada dia, onde há segurança na casa dos nossos medos. Não guardo palavras para o que não acredito. Leio um pouco. Escrevo sempre... poemas, textos, questões abertas ao irrestrito. E fico feliz porque, apesar de todas as tempestades, vc esteja aqui, neste momento, lendo estas minhas ternas blasfêmias... sentido pássaro vou cobrir minhas partes com o mel dos teus desejos me lamberás como uma ursa- maior em uni- versos em prosa vou comer teus sentidos e sonhar que ainda estou vivo O CORDEL QUE EMOCIONOU O jornalista, poeta tropicalista e produtor Carlos Aranha sentenciou: "É um espetáculo mais bonito que Jesus Cristo Super Star". O Cordel da Paixão de Deus, encenado na arena da praça Dom Adauto, em João Pessoa, certamente, fez a diferença em relação às encenações da Semana Santa em todo o país. Tudo esteve centrado na arte e na história de Jesus - das mais antigas que a humanidade conhece. Quem não viu, perdeu. Quem viu, babou. CANTIGAS DE SARAR O PEITO Temos buscado o tardio, antes do nunca. Às vezes serenamos as razões do nosso pouso, na alegoria das asas. Não sei do que falo, mas sei que é assim. Todo dia, o dia todo, percorremos as ruas do fim... QUANDO VIVER É UM POUCO ALÉM Ninguém vive de aplauso. A alegria tem pernas curtas para quem não conhece o aprendizado da dor. Temos nossos olhar para o mundo nos olhos dos nossos filhos. No meio das ruas, não somos apenas a poeira cósmica de uma identidade perdida. Temos a cor dos hemisférios em nossos lábios. Somos o que somos. Compomos as vértebras do acaso. borboletas na janela quando percebi teu olhar espesso no trespassado espelho da vidraça corri de medo senti minhas mãos dormentes e minha boca espremida entre dentes | como se os álamos purulentos da manhã estivessem cumprindo nossas sinas de lagarta depois descobri que a eternidade cumpria-se na beleza do vôo e que a morte era um sono de um ogro cumprindo seus jograis comente: Sexta-feira, Abril 14, 2006
BRINCANDO COM AS PALAVRAS O CD "Brincando com as palavras",traz para as profundezas do mar que todos somos, os poemas de José Paulo Paes musicados e cantados por Madan. Como diz Glauco Mattoso, "visite o site, não seja covarde". Esta é mais uma sugestão do Poesia Sim. JOSÉ PAULO PAES Poesia é brincar com palavras Como se brinca com bola, papagaio, pião Só que bola, papagaio, pião De tanto brincar se gastam As palavras não: Quanto mais se brinca com elas Mais novas ficam Como a água do rio Que é água sempre nova Como cada dia que é sempre um novo dia VAMOS BRINCAR DE POESIA? (CONVITE, poema de José Paulo Paes) O CORDEL DA PAIXÃO Imagine uma Paixão de Cristo sendo narrada por quatro cavaleiros da cultura popular nordestina, em literatura de cordel. Imagine cocos de roda, naus catarinetas, aboiadores, numa coreografia muito bem arquitetada por Maurício Germano... é assim que a história mais popular do mundo está sendo contada em uma arena formada ao ar livre, na Praça Dom Adauto, em João Pessoa. Como cenário, os contornos barrocos da Igreja do Carmo. O CORDEL DA PAIXÃO II Imagine uma trilha sonora composta especialmente para o espetáculo, durante os ensaios, em não mais de 40 dias. Imagine que exista na Paraíba um maestro chamado Eli Eri Moura que compôs um verdadeiro trigal sonoro para um espetáculo que é encenado sobre uma mandala de 20 metros quadrados, feita pelo artista plástico Nai Gomes. Imagine que você verá este espetáculo de uma arquibancada e não espremido em meio a uma multidão. CORDEL DA PAIXÃO III Com texto de Tarcísio Pereira e direção de Duílio Cunha, o espetáculo traz para a cena um outro contexto para as políticas públicas do município. Ambos tiveram seus trabalhos inscritos em editais públicos e venceram. Este é um diferencial que pode até passar despercebido, mas que não esconde que há um certo oxigênio nas esperanças de uma cidade que busca se amar e se alimentar da própria beleza. Não são mais as mesmas tribos da politicagem agindo e decidindo tudo. Há um certo quê de dignidade no ar... DISCUTINDO LITERATURA Stá nas bancas do país o número sete da revista Discutindo Literatura com uma análise da Poesia de Manuel Bandeira (o lirismo e a modernidade sob a mesma pena), por Clenir Bellezi de Oliveira, Bananére e seu português macarrônico (estrela do Museu de Língua Portuguesa), também por Clenir. A incrível atualidade de Dom Quixote, um texto de Maria Augusta da Costa Vieira. E uma análise do comportamento da poesia brasileira no mercado do livro, por este que vos clama a chama inteira, vulgo tal de lau siqueira. OUTROS ASSUNTOS Meus ouvidos moucos já não recebem além da ladainha católica chegando pelos ares de Miramar, onde os pássaros voam perto da minha janela e onde um vizinho mandou cortar ao meio uma mangueira linda que encontrei neste meu quintal provisório. Pode ser que eu esteja enganado, mas tenho visto bem mais do que qualquer pessoa pode querer ver. O necessário descanso, algumas vezes, chega como uma utopia. DITADURA DIGITAL Um dia, por algum motivo, este blog não mais estará aqui. Não sei a quem pertence meu http. Meu Zeus, isso é de uma gravidade acintosa! Então penso que a inclusão digital é o estopim da terceira guerra mundial. Porque o poder que mantém acesos os sinais digitalizados do mundo, pertence aos mesmos impérios. Destronar o império da sua perspectiva de futuro, é uma idéia política que precisa ser desenvolvida na era digital. Precisamos entender que estamos vivendo uma ditadura digital, com um imperador oculto, captando todos os nosos sinais. Software libre o muerte! comente: Terça-feira, Abril 11, 2006
O DIA EM QUE VOLPI RIU PRA MIM Estive visitando a exposição de Volpi, no MAM (SP). "A música das cores". Crianças passeavam entre as telas, conduzidas por guias pedagógicos que lhes ensinavam os caminhos do universo nesse gênio da pintura. Olhando firmemente uma tela com bandeirinhas, ao lado de uma menininha desconhecida de, aproximadamente uns 10 anos, percebi que Volpi riu pra mim! MUSEU DA PALAVRA Indescritível. Só indo. Só vendo. Só lendo. Só sentido a alma de Guimarães Rosa passeando por sobre as cópias ampliadas dos originais de Grande Sertão. Ou um planetário de palavras ordenadas sobre as vozes que comungam com Drummond numa praça onde a poesia é uma asa cibernética nas palavras. É o museu de uma linguagem viva! Um Museu da Língua Portuguesa, porra! Se estiver em Sampa, não deixe de conhecer. É muito mais do que tudo que você possa imaginar. acosso mastigo palavras com as cinzas espalhadas sobre os seus alhos suas entonações casuais que ao mesmo tempo são grandes desc obertas ao som das luzes que se mov imentam na incomplet ude das coisas escrevo porque em mim habitam silêncios ainda não per corridos silêncios dormidos no maio dos anos sobretudo permuto safras de olvido em preservações ácidas | como o esterco das manhãs ando com palavras em busca da minha própria ilha começo de rio no riso que diz sim UM ÍNDIO EM PLENO CORPO FÍSICO Um índio de cuecas e cocar balançando seus chocalhos (e o saco) passeava pelos corredores do Encontro dos Pontos de Cultura, do MinC, dizendo sim para a eternidade de cada instante. Tudo isso num ponto eqüidistante entre o Atlântico e o Pacífico. Como se tudo fosse Caetano, até quando John Donne ou Maiakovski. Enfim, gente é pra brilhar. E eu não destaco Caetano neste tópico porque ele não destaca os poetas das suas canções. Ele apenas usa. Abusa. Não sabe o quanto, com tudo isso, recusa. idílio paulistano somente os pássaros nos quintais do morumbi cagam a burguesia pau lista que sempre parece tão distante em suas ocas temperadas pelo lucro das fábricas e pelos suores que des cem a consolação no coletivo para lamber pipocas no ibirapuera sampa concentra as uvas do estio nas madrugadas de poemas restritos ao delírio (que frio) VIVEIROS Enganam-se os que se dizem enganados. São eles que enganam. Enganam os que se dizem assustados. São eles que assustam. Enganam-se os que perseguem o efêmero. Eles são eternos. Enganam-se os que se sentem nada. Eles são tudo. Enganam-se os que pensam que permanecem acesos na rotina dos dias. Eles apagaram. HELENA COLODI "Para quem viaja ao encontro do sol é sempre madrugada." SIM, COMO ESTÁVAMOS FALANDO... Não é que eu acredite em duendes. Eu converso com eles. comente: |
O Autor
Lau Siqueira nasceu em Jaguarão,RS. Publicou três livros: O Comício das Veias
(Paraíba: Editora Idéia, 1993), O Guardador de Sorrisos (Paraíba: Editora Trema, 1998) e
Sem Meias Palavras (Paraíba: Editora Idéia, 2002). Tem poemas publicados nas
últimas edições do Livro da Tribo (São Paulo: Editora Tribo) e na
antologia Na Virada do Século — Poesia de Invenção no Brasil (São Paulo: Editora Landy, 2002),
organizada pelos poetas Frederico Barbosa e Cláudio Daniel.
Lau por Amador Ribeiro Neto Jornal da Poesia Livro da Tribo Germina Spam Zine PD - Literatura O Cisco Tonitruante Guia de Poesia Patife |
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